segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Analisando as escolas com base nos preços


Com base nestes 10 anos na área de ensino internacional e mais duas décadas de convívio com esta cidade, resolvi resumir, de forma um tanto generalista, o que se pode esperar de algumas escolas de acordo com o preço oferecido. Não podemos esquecer que algumas fazem promoções esporádicas e, neste caso, fogem da regra.
Os seguintes itens devem ser observados antes de escolher uma escola. Não e necessário que ela seja perfeita em tudo, mas naquilo que você realmente necessita.

Localização
Metodologia
Reputação
No de alunos por sala de aula
Certificação dos professores
Infra-estrutura
Mix de nacionalidades

Preços e características de escolas para um curso de 42 semanas (10 meses) pela manhã.

Abaixo de £ 1.300: Atendem, sobretudo o mercado latino americano, incluindo brasileiros. Não e preciso comentar que sempre brasileiros e Colombianos irão predominar. Salas de aulas com número acima de 20 alunos e tem alta rotatividade de professores que não acabam se comprometendo e consequentemente a qualidade de ensino decai. Funcionam para pessoas que só buscam o visto como objetivo principal.Localizam-se em áreas centrais como a Oxford Street , de alta circulação e sempre você vai ver panfletagem sendo feita na frente. Acabam atraindo turistas recém chegados ou moradores desavisados. Muitas dessas já começam a perder suas credenciais.

De £1600 a £2000: Atendem o mesmo mercado, mas possuem uma diversidade maior de estrangeiros e a preocupação maior com a questão de ensino , apesar de ter uma infra estrutura relativamente básica. Ainda aqui o numero de brasileiros prevalece ou ao menos se encontram em números expressivos. Localizam-se em áreas centrais, mas também em bairros mais afastados do centro, como zona 3 e ate mesmo 4. Quando isso acontece, é comum o aluno desconsiderar o fator distância e acabar tendo que viajar de 50 minutos a 1 h todos os dias pra chegar na escola e gastar mais com o transporte. Muitas agencias vendem cursos nestas escolas , mas “esquecem” de enfatizar quanto tempo de deslocamento isso ira acarretar diariamente entre escola, casa e trabalho, quando for o caso.

De £2.000 a £ 3.500 Atendem diversos mercados estrangeiros como italianos, franceses, japoneses, espanhóis e alemães. Contudo, os nossos conterrâneos começam a diminuir, restringindo-se a uma camada social mais elevada. Oferecem excelente custo beneficio porque possuem uma forte preocupação com a equipe acadêmica e o recursos didáticos para gerar resultados concretos. Muitos que estudam em escolas deste perfil necessitam ser aprovado em exames de proficiência e o resultados tem que ser garantidos. Localizam-se em áreas centrais, mas em pontos mais charmosos.Tem estrutura tecnológica e espaço físico agradável para propiciar uma interação social como uma boa recepção, terraço ou uma cafeteria. Todos os professores, sem exceção, são certificados e com vivência em outros paises.

De £ 3.500 a £ 5.000: Quase igual ao perfil das escolas acima com qualificação acadêmica alta e excelente infra estrutura, só que alem disso oferecem muitas atividades sociais extra curriculares. São perfeitas para cursos de verão e para interação com pessoas de diversas nacionalidades da Europa e Ásia, principalmente. No geral, são escolas de tradição e excelente reputação. Muitas tem filiais em outros paises como Canadá e Estado Unidos. O preço alto acaba atraindo muitos japoneses que tem como costume atribuir qualidade a preço alto.


A descrição destes perfis não é algo preciso, mas apenas uma generalização do que se pode esperar aqui. Há muitos casos de escolas ruins ainda com preços altos, mas com a vigilância cada vez mais rígida e inspeções surpresas feitas pelo Home Office em alguns anos só restarão escolas que oferecam um mínimo de qualidade. O lado ruim é que como a concorrência ira diminuir os preços certamente deverão aumentar.

domingo, 29 de novembro de 2009

Tudo termina no custo..nao caia nessas armadilhas!

Muitos me consultam para saber mais sobre como e viver aqui e que escolas são boas ou bairros mais interessantes. Mas, no final o que eu mais tenho notado e que quando perguntam sobre escolas, a maioria esta realmente interessada só na questão “preço”. Alguns poucos realmente querem investir mais num ensino de qualidade. Não significa que as escolas tenham que ser caras, longe disso, mas não estão muito motivados a ter que investir mais para garantir uma boa educação e se livrar de problemas futuros. O que seria essa boa educação? Simples, um curso onde os professores são dinâmicos, comprometidos, onde o conteúdo programático e metodologia realmente sejam atualizadas (focada na conversação e não na estrutura gramatical, por exemplo) . A grande maioria dos interessados usa como base o que encontra no site, e essa é uma armadilha. Qualquer empresa hoje faz um site com design moderno e cheio de conteúdo, mas quantos sites realmente mostram fotos?. Você ira se dar conta que a maioria das escolas não coloca fotos de suas instalações? Por que será?.

Sobre as escolas, não considero que os cursos de inglês aqui sejam melhores do que no Brasil. A grande diferença é carga horária intensa e a possibilidade de poder praticar a língua fora da sala de aula no dia a dia. Mas o que acontece aqui, em muitas escolas, é que o numero de professores não são nativos da língua. O caso de haver muitos brasileiros numa escola é prejudicial no sentido de que existe uma tendência a se falar o português a fazer muitas amizades logo na chegada.

Não é ruim ter amigos do seu país, mas no estágio inicial, quando ainda o estudante não tem um grau de conhecimento suficiente da língua, ele acaba se acostumando a não se esforçar tanto. Há casos e casos, não são todos, mas garanto que a porcentagem de pessoas que estão aqui há anos e ainda não são fluentes é de ficar estarrecido. Por que isso acontece? por diversos motivos, mas principalmente pela zona de conforto que muitos ficam convivendo somente com seus conterrâneos e não tendo necessidade de interagir com a cultura local. Quando me pedem dicas de escolas eu dou somente das que eu conheço muito bem. Porque sei que são serias, tem excelentes resultados que eu comprovei através de dezenas e até centenas de alunos. Não e algo aleatório. Mas muitos acabam seguindo o conselho do fulano X, Y Z que nem sempre e a pessoas mais indicada para falar sobre ensino. Minha experiência me mostra que o melhor e você sempre seguir ou ao menos embasar informações através de especialistas, não importa a área. Se eu quero estudar numa escola e meu amigo que eu sei que é um tanto preguiçoso reclamar dela, eu não levarei em consideração, pois ele estará sendo parcial. Me desperta muita curiosidade essa inseguranca.Por outro lado,se consultar um agente de intercâmbios no Brasil é certo que ele irá oferecer os serviços que ele ganhara mais e não necessariamente o que melhor se adequaria a sua situação financeira e seus conhecimentos da língua. Aliás, a maioria nem tem noção de ensino e indicam escolas de forma aleatória. São muito poucos os agentes que eu conheci que tem essa preocupação clara. Vale a pena conferir com calma e visitar alguns. Muitos agentes nem conseguem identificar o perfil do seu cliente e ver que seu estilo de vida as vezes sendo mais sofisticado, jamais se adequaria a uma escola “ simples” num bairro desinteressante. Essa sensibilidade é fundamental pra sempre chegar a uma margem mínima de erros quando se indicam escolas ou serviços em geral como acomodações, receptivos, pontos turisticos, etc. Se for para escolher um agente, e crucial que este tenha vivido aqui e saiba considerar todos estes pontos. Caso contrario, será um mero intermediário e isso não é necessário, pois você pode fechar tudo diretamente pela internet. Não acredite que fazer tudo através de agentes facilite o processo de visto. Se quiser que isso aconteça, contate diretamente um Agente de Vistos que estes são realmente especialistas no assunto. Quando se compra com um agente de intercâmbio tem que exigir dele todo este know- how sobre o lugar que você estará visitando. E obrigação do agente prestar-lhe estas e outras informações. Caso contrario, não faz sentido. Fique muito alerta com os oportunitas. Cada dia recebo contato de pessoas reclamando que o agente nao informou sobre informou sobre os problemas que teria entrando aqui com visto de turista ou renovando o visto de estudante. Na hora de vender tudo vale. Se aplica o famoso “ chegando lá você resolve” . Contudo, na vida real e muito diferente. Tenho auxiliado muitas pessoas depois que elas ja estao aqui encrencadas. Eu poderia citar o nome de 2 agencias de intercâmbio no Brasil que fazem isso toda hora e ainda acham que prestam um excelente serviço. Simplesmente patético. Eu nao posso salvar o mundo, mas ao menos me encarrego de denunciar empresas que ludibriam as pessoas.

Mas, voltando a questão das escolas, acomodações e dicas, parece que tudo que conta e o preço. Só que eu pergunto: o que adianta viver num bairro mais afastado para economizar no aluguel se a pessoa ira gastar mais em transporte e perder mais tempo se locomovendo? De que adianta pagar uma escola ruim (felizmente estão fechando varias) se ao invés de estudar 10 meses ela precisara 20 meses? Sinto que falta uma análise mais cuidadosa de todas estas variáveis. Para mim cada vez fica mais claro de que o famoso dito popular “ o barato sai caro” e muito verdadeiro. Existe outra expressão aqui do tipo: There’s no free lunch”. (não há almoço grátis), isto é, tudo na vida tem seu preço. Quer conforto?pague por ele. Quer rapidez? pague por ele. São raras as vezes que conseguimos algo perfeito sem termos que pagar o preço correspondente. Mas, acho que isso e uma mania muito brasileira de querer tudo pelo mínimo. Parece que quem pagou caro por algo esta fazendo o papel de “ trouxa”. Acho que aqui entra a questão de inteligência e a pesquisa de preços. Se você esta comprando o mesmo produto ou serviço que outra pessoas , mas com um custo mais baixo, neste caso você foi precavido e esperto em ter pesquisado, porem querer comparar preços sem considerar a qualidade destes itens não e algo muito sensato. Não se pode comparar estudar numa escola que tem só 10 alunos por sala de aula, num ótimo bairro, com uma excelente infra-estrutura com uma metodologia de ponta com uma escola familiar lotada de alunos com o mínimo de estrutura. Já vi inúmeros casos de pessoas que se matricularam em escolas ruins em bairros péssimos só porque eram muito baratas. O resultado foi ter que amargar um ano estudando 3 h por dia num ambiente que a pessoa não gosta e isso e uma tarefa árdua. Gosto de recordar que uma vez estando aqui como estudante (student visa) se você resolver não ir mais para a aula, é questão de alguns dias para ser denunciado para o “home office” correndo riscos de ser deportado. Para eles, o aluno veio aqui estudar, não trabalhar.

Planejar não e outra característica do Brasileiro. Ele esta acostumado a comprar tudo em prestações. Isso era algo que se fazia nos tempos da inflação quando o consumidor não sabia se juntando com antecedência ela teria o valor suficiente para adquirir algo. Hoje, isso não faz mais sentido. Se a intenção e realizar uma viagem daqui a 12 meses é mais lógico se começar a poupar desde hoje para comprar a vista, sem pagar juros ridículos de alto que qualquer europeu não conseguiria acreditar. Neste pais comprar a prazo somente produtos de alto valor, como automóveis, propriedades e não me recordo o que mais. E tudo direto e dependendo do lugar as vezes somente em espécime. Usar cartão de credito acarreta uns juros de 3 a 4%. Passagens aéreas são pagas a vista. Causam-me espanto os valores praticados no Brasil. Os juros aplicados são patéticos e seria aqui um caso de polícia. Na minha visão isto é roubo institucionalizado. O problema é que todos se acostumaram a viver dessa maneira e acham natural ter que comprar tudo em varias vezes e mesmo tendo dinheiro para comprar a vista. Inexplicável para um europeu este costume. Um dia irei escrever sobre um dos fatores que contribuem para os preços serem tão altos ai para certos bens de consumo e posso adiantar que não se relaciona somente ao que todos dizem, que o imposto é alto. Mesmo que os impostos baixassem eu duvido que os automóveis, roupas , passagens aéreas e hotéis baixassem de preço. E se alguém ainda disser que acham acessíveis os preços das passagens aéreas no Brasil com estas “promoções” e porque nunca vieram para a Inglaterra para saber o que é realmente uma passagem aérea barata.

Um das dicas que dou para poupar frustrações é: se programe com antecedência, mas se a viagem for algo imprevisto de ultima hora, comecem analisando antes de tudo se você tem como cumprir todas as exigências para obter seu visto como estudante. Não adianta ir pesquisando cursos, escolas, acomodações se não terá como vir estudar. Daí e frustração na certa.

domingo, 22 de novembro de 2009

Blog com novo visual!

Os frequentadores deste blog irão notar que o visual mudou. Mantive as mesmas cores, que são as cores da bandeira do Reino Unido, mas a foto e outra. Não quis colocar uma das tão “batidas” fotos dos lugares tradicionais de Londres como o Big Ben, Tower Bridge ou a House of Parliament. Apesar de um achar estes símbolos obras primas e nunca me cansar de vê-las aqui, eu já não me identifico tanto quanto como esta paisagem acima. Esta foto foi tirada por mim no verão, por volta das 21h30, no píer de Canary Wharf (East) que e área financeira da cidade, junto com a City. Neste píer você pode pegar o barco a jato Thames Clipper e chegar até a ultima parada em Westminster, lado Oeste de Londres. O visual do rio e inexplicável. Interessante que muitos não tem esta visão da cidade. O lado leste esta todo sendo desenvolvido e muitas construções high-tech estão sendo construídas na orla do Thames. Por esta razão, escolhi esta foto que representa uma nova Londres que consegue misturar o antigo e o novo e manter sempre a harmonia.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

TIER 4


Aqui vai uma alerta a quem pretende solicitar o visto de estudante. Muitas escolas estão fechando e outras estão perdendo a credencial TIER4 que garante que ela seja uma “sponsor” (patrocinadora) do aluno.

Estes problema não se restringe apenas as escolas que chamamos de “bogus”, ou falcatruas. Muitas escolas de reputação estão sendo inspecionadas e, no primeiro equivoco que cometem, o Home Office retira temporariamente este selo.Durante este período ela não pode ser “sponsor”. O tempo pode ser indeterminado ate ela entrar em conformidade com as exigências do departamento de imigração. Inclusive isto aconteceu com uma excelente escola que eu geralmente recomendo. Ela ficou mais de 5 semanas sem poder matricular alunos que necessitavam de visto de estudante.

A coisa devera piorar muito antes de melhorar. O novo discurso do primeiro ministro Gordon Brown deixa bem claro que novas medidas serão tomadas para reduzir a imigração ilegal e vai sobrar para os estudantes de cursos de inglês. Pela nova lei que ainda esta sendo discutida, somente terão direito a trabalho estudantes de curso de graduação e pós-graduação.

Esperemos que a equipe do governo seja sensata e ache um meio termo para não acabar com o sonho de muita gente.

domingo, 15 de novembro de 2009

Civilidade, quem tem?


Hoje comentava com amigos sobre uma matéria que estudei no primário (anos 70) que se chamava Moral e Cívica e que achava a coisa mais inútil que existia no currículo escolar. Que vergonha, hoje me arrependo de ter pensado desta forma. Mas, claro, era um pré-adolescente que só pensava em ter aulas de educação física todos os dias da semana. Agora, vejo como faz falta se aprender sobre cidadania.

Vivendo aqui na Inglaterra e conhecendo um pouco a Europa consigo ver as diferenças entre ambos os continentes de maneira mais clara . E impossível não se comparar ou fazer referências quando vivemos em outro lugar. Vou generalizar e me afastar um pouco da raíz deste tema para poder chegar aonde eu quero e poder traduzir de forma clara meu pensamento. Talvez você se encaixe em alguns dos modelos que irei mencionar.

Se imagina que aqui seja tudo perfeito, com ruas impecáveis, trânsito seguro, pessoas educadas, lojas elegantes, sistema de saúde eficiente, excelente infra-estrutura, etc. Será que isto é um fato? Sim e não, O que é verdadeiro nesta afirmação de que tudo é perfeito? A resposta é: Depende!! Depende do que você quer analisar. E um pouco complicado explicar sobre isto. Muitos têm uma idéia completamente distorcida da nossa realidade e outros, que estão mais bem informados, ainda assim caem na armadilha das generalizações, daquilo que escutam de algumas pessoas ou pior, pelos meios de comunicação. Se fizermos uma tabela comparativa para traçar o perfil de cada ítem a ser analisado poderemos chegar a um resultado mais próximo da realidade. Analisemos as estradas, por exemplo: São melhores em todos os sentidos, seja iluminação, asfalto, segurança e ainda estão livres de pedágio, mas seria uma covardia comparar o nível delas com as famosas estradas da Franca e da Alemanha. As ruas de Londres são na maioria estreitas, o trânsito é lento ( o que o torna seguro de certa forma),não se consegue local para estacionar facilmente e ainda estão sempre congestionadas, contudo, você nunca será abordado por uma pessoa pedindo esmola, ou será vitima de sequestro relâmpago como temos no Brasil. A educação primária e secundária do estado está anos luz a frente do Brasil em termos de infra-estrutura, segurança, controle, organização, poren se considerarmos as escolas privadas brasileiras a diferença já fica atenuada. Andar nas ruas a noite ou pegar ônibus para voltar de uma balada as três da manha é algo comum em Londres, situação esta que seria uma tentativa de suicídio numa cidade como São Paulo. Mas, por outro lado, Londres comparada com cidades como Copenhague , capital da Dinamarca, são consideradas perigosas. Você percebe que estou traçando paralelos de comparações? Não posso comparar o clima de Salvador com o clima de Londres, mas, posso comparar a diversidade de atrações. Seria ilógico tentar comparar a beleza do litoral de Santa Catarina com os Alpes Suíços. São belezas diferentes e se encontram em categorias distintas de classificação. Por isso acho difícil dizer que grau de perigo, de eficiência, tecnologia uma cidade possui sem ter um paralelo. Londres é perigosa? Você já saberá minha resposta. Depende. Para mim, que vivi no Brasil a maior parte de minha vida diria que aqui é seguro, mas para um finlandês ou sueco, acostumados com índices de violência muito baixos, nao se sentem muito seguros.

Utilizei este exemplo das comparações com referências para entrar na questão da cidadania. Falta muito sentido de cidadania no Brasil e isso é algo que salta aos olhos de quem e Europeu, mas não de quem é brasileiro. Existe uma falsa idéia ou noção de irmandade e camaradagem entre todos, mas isto é muito falso. O famoso jeitinho esperto do brasileiro de sempre burlar as regras, por mais insignificantes que pareçam e se aproveitar de brechas em determinadas situações para se favorecer é o maior exemplo de falta de cidadania e respeito pelos seus conterrâneos. O curioso é que a grande maioria que age dessa forma, o faz de maneira inconsciente, sem “maldade”. A questão é que estas atitudes individualistas, principalmente egoístas acabam a médio e a longo prazo prejudicando seus vizinhos, amigos, familiares e a si mesmos. E um verdadeiro tiro no pé, só que a dor vem mais tarde. Uma situação corriqueira e que todos convivem: quantas pessoas passeiam com seus cachorros pelas ruas e parques (que são públicos) e não recolhem seus dejetos e jogam no lixo? Muitas, não? Mas a mesma pessoa se pisar numa vai amaldiçoar o cão e o dono que deixou ali. Então, ela não se da conta que fez a mesma coisa há alguns dias atrás. Os exemplos são inúmeros em quaisquer situações que possamos pensar. Sempre prevalece o “EU” e azar do outro. Essa visão estreita, mesquinha e até covarde acaba pouco a pouco minando as relações humanas numa grande cidade e destruindo uma sociedade. Você acorda irritado porque seu vizinho de prédio colocou o som a todo volume no domingo pela manhā,porém na noite anterior você deu uma festa no seu apartamento até as quatro da madrugada. Você terá alguma moral para reclamar do barulho?

Para estas duas situações bem típicas no dia a dia de uma grande cidade existem leis especificas, só que, infelizmente no Brasil, raramente elas são aplicadas. Aqui, na Inglaterra, muitas das leis só funcionam porque elas são executadas, não porque todas as pessoas sejam mais conscientes. Agora creio que você possa estar confuso com esta minha afirmação, afinal, aqui na Europa as pessoas são mais “civilizadas”, não? Sim e não! Que pessoas, eu pergunto? Qual a origem delas? O que você julga como sendo Europeu? Alguém que nasceu ou apenas vive aqui? tem origens européias (padrão caucasiano)? Este e um tema delicado e complexo de abordar e exige cuidado para não se entrar em questões de racismos e predileções.

Pessoas de maior nível educacional e cultural( nao necessariamente econômico),em qualquer parte do mundo tendem a ser pessoas com uma noção muito mais apurada de civilidade, de cidadania, de respeito pelo espaço público e privado. Isto é quase uma regra, mas como em tudo, há sempre exceções. Não consigo imaginar um cidadão com este perfil jogando lixo na rua, roubando flores do vizinho, rodando de carro com o som alto de madrugada ou danificando uma propriedade por simples prazer. Para estes cidadãos não é necessária uma lei para impôr o que elas devem ou não fazer, pois agem de forma natural, com senso de respeito pelo próximo e não por medo de serem punidas. Este perfil de pessoas está por todas as partes, o que muda é a quantidade delas no mesmo espaço físico. Aqui nos temos este fenômeno devido a questões históricas, já que a Europa está alguns milênios a frente da América. Só que não podemos esquecer de que uma cidade como Londres acolheu milhões de imigrantes e muitos são provenientes de paises subdesenvolvidos em termos de educação, cidadania e tecnologia. As leis que aqui se fazem cumprir funcionam muito bem, principalmente em cima destas pessoas que não tiveram esta educação de berço e aqui aprendem, digamos, na “marra”. E triste ter que punir seres humanos, mas e ainda a única forma de manter a ordem e a aparente harmonia dentro de uma sociedade. Não vou citar de que países vêm estas pessoas porque a questão aqui não é apontar culpados pela lenta degradação da qualidade de vida desta cidade.

Quando penso em paises como a Dinamarca, Noruega, Suécia e Japão , invejo o grau de educação e consciência que estas sociedades conquistaram. Eles não necessitam de punições para exercerem o respeito. Alias, tudo se resume em respeito. Tudo que não tem como base o respeito pode terminar em violência, roubo, exploração, traição e muitas outras consequências negativas. Quando as pessoas se respeitarem, por vontade própria e não por medo de serem punidas, estaremos entrando numa nova fase de desenvolvimento humano real. Enquanto isso, as leis continuam a existir e a cada dia ficam mais rígidas. No Brasil bastaria apenas aplicá-las para colocar um pouco mais de “ordem na casa”.

Quero encerrar com uma visão muito pessoal do que eu considero como respeito. Respeitar não é apenas dar bom dia para o vizinho, mas manter a sua calçada limpa e respeitar os horários de silencio. Respeitar não é apenas elogiar seus funcionários, mas pagar um salário decente e promover seu desenvolvimento pessoal e profissional. Respeitar não é falar só o que o amigo gosta, mas não fazer falsas promessas. Respeitar não é dar prioridade na fila de um banco para um idoso, mas criar um sistema que ele nem precise mais ir ate lá desnecessariamente. Respeitar um cliente não é dar um sorriso “amarelo" e oferecer um cafezinho, mas ser transparente e direto na negociação.

Creio que sou um pouco idealista e utópico, mas não custa sonhar.