segunda-feira, 5 de outubro de 2009

E agora, qual sotaque? americano, britânico, australiano, etc.?

Vejamos, você pretende aprender inglês em alguma escola no Brasil ou através de aulas particulares, ou mesmo por conta própria e daí aparece aquela dúvida: Ē melhor estudar o inglês americano ou o britânico? Qual deles é mais útil ou até mesmo mais fácil de aprender? Esta é uma questão bastante frequente quando alguém decide começar a aprender a língua. Quem já estuda há mais tempo e tem mais conhecimento e fluência e foi influenciado por professores, musicas ou filmes, começa a se confundir com a diferenças, não somente estruturais, mas de vocabulário e sotaque. Então a pergunta passa a ser: qual sotaque devo adotar a partir de hoje? Qual soa melhor? Para confundir ainda mais, além desses ainda temos o da Austrália, Nova Zelândia, África do sul e de todos os outros paises espalhados pelo mundo que foram colonizados pelo império britânico. Mas, as diferenças não param por ai. Se considerarmos uma cidade como Londres, por exemplo, você certamente ficara frustrado de não conseguir entender absolutamente nada do que se fala nas ruas mesmo depois de ter se dedicado nos últimos cinco anos estudando numa boa escola. A primeira revolta será com o método usado pela escola, com sua “falta de habilidade” em aprender línguas, com o seu professor, enfim, a sensação que você terá é de que desperdiçou todos esses anos em vão e jogou dinheiro pela janela.

Antes de começar a colocar todos no banco dos réus, quero explicar um pouco por que isso acontece e talvez, você a partir daí, comece a focar em outros pontos que podem ser mais produtivos quando estiver aprendendo a língua.

Voltemos a Londres (poderia ser qualquer outra cidade, mas você esta vindo para cá, não?). No primeiro dia na cidade você entra no metrô e já se depara com pessoas falando uma língua que de nada se parece aquilo que seu professor lhe ensinou. Não e? Exagerando um pouco, em alguns casos, ate o alemão parece mais familiar. Vamos considerar em primeiro lugar que aqui há pessoas de centenas de nacionalidades se comunicando em inglês e ,logicamente, com seus próprios sotaques e erros gramaticais. Você ainda não possui conhecimento suficiente para diferenciar um árabe de um indiano ou um italiano de um francês falando o inglês. Este é um fator que também complica um pouco a compreensão. Mas vamos nos deter no caso de um inglês, um típico londrino falando. Talvez você não saiba disso, mas nesta cultura, a diferenciação social e educacional se faz notar pela maneira como você fala. A Inglaterra não e um país como os Estados Unidos ou mesmo o Brasil onde o fenômeno do novo rico está por todas partes onde não é incomum ver ,no interior ou em grandes cidades ,de pessoas que não tiveram uma formação escolar sólida enriquecerem da noite pro dia através de negócios bem sucedidos. Isto permitiu que pulassem varias camadas da hierarquia social, mas seguiram com sua maneira simples de falar a língua. E em outros casos, uma pessoa com excelente formação acadêmica e vindo de uma família de classe media alta, seu sotaque pode ser semelhante ao de alguém que não teve o mesmo nível de estudos. Portanto, e quase impossível através do sotaque ou dos erros gramaticais se classificar o nível social de uma pessoa nestas sociedades. E o caso de muitos políticos que, chegaram a vida publica e a notoriedade através de sua popularidade, mas não necessariamente através de seu sucesso acadêmico ou profissional. Teríamos inúmeros exemplos para citar, principalmente no Brasil.

Aqui, reconhecer o status social de alguém é algo relativamente fácil. Pessoas que tiveram educação universitária ou que provêm da aristocracia falam o inglês com exatidão e sotaque que se associa ao falado pela rainha e provavelmente e o que a maioria dos estudantes internacionais esperam encontrar quando chegam na Inglaterra. Já trabalhadores da construção civil entre outros prestadores de serviços técnicos, mesmo que muitos dirijam Mercedez Bens ou BMW, ainda falam o inglês que se origina do Cockney (interessante pesquisar no Google) e que é quase ininteligível para um inglês de mais elevado nível educacional, quem dirá para os estrangeiros recém chegados. Mesmo após muitos anos vivendo aqui, ainda sofro para entender o que eles falam e confesso que não faço muito esforço para aprender.Na minha opinião é um inglês sem charme, cheio de erros e até um pouco agressivo, como se falassem dessa forma propositalmente para não serem entendidos por todos (na verdade o Cockney original tinha este propósito).

Além desse caso que eu citei acima, temos o inglês falado pelos jovens universitários pelos acadêmicos, pelos políticos, pelos mafiosos, pelos jogadores de futebol (nem comparação como falam no Brasil) e por todos os tipos de tribos que aqui existem. Cada grupo cria sua própria linguagem e maneira de falar. Depois de alguns anos vivendo nesta cidade você começa a diferenciar o nível social e cultural das pessoas ou o grupo que elas pertencem pela maneira como elas se expressam. Para dar uma dica, se você quer saber se uma pessoa foi bem educada ou em qual universidade ela se graduou , observe como ela fala. Quanto mais você conseguir entender o que ela disser, maiores serão as chances de que ela esteja falando o inglês correto e mais sofisticado (claro que há pessoas com dificuldade físicas, ai não se aplica este caso). O inglês que você aprenderá nas escolas do Brasil, caso seja o britânico, certamente será o inglês chamado padrão BBC e acredito que esteja certos de seguirem assim. Contudo, creio que para melhorar o ensino, os alunos deveriam ser expostos seguidamente a estas diferenças de sotaques de diversos grupos. Desta forma, o choque seria muito menor e o grau de compreensão maior. Um estudante poderá entender alguém com um sotaque do leste, tipo um Cockney, mas não significa que terá que falar desta forma. E curioso notar que muitos brasileiros quando chegam aqui (e de todas as nacionalidades) por não frequentarem escolas de inglês, acabam aprendendo uma miscelânea de inglês que soa engraçado e até inadequado. Utilizam expressões ou palavras muito “chulas” para determinadas situações como o tal “ Hi mate” para um cliente ou uma pessoa mais velha” ( seria como dizer em português “ e daí meu velho” pra uma cliente que você nunca viu antes”) ou palavras do tipo F** indiscriminadamente, na hora errada. Ou então, pegam vícios de pronúncia que depois não conseguem se livrar. Por isso é que vale a pena estudar numa escola para ter uma base sólida antes de se aventurar a falar por conta própria.

E neste ponto que eu quero focar agora. Estamos na Inglaterra, portanto, devo falar o britânico, certo? Não. E mil vezes não. Você fala com o sotaque que mais lhe agrada porque isso não fará nenhuma diferença. Por você não ser inglês você não entrará na categoria de classificação social. O estrangeiro sempre será um estrangeiro aqui, portanto, a maneira como ele fala é inclassificável em termos sociais e educacionais. Alem disso, ele compreendido da mesma forma. Existem evidentes diferenças entre o inglês Americano e o Britânico, como a grafia, alguns tempos verbais e principalmente a pronuncia. O mais importante é que você consiga aumentar o seu alcance auditivo entendendo outros sotaques além desses. Se você falar como um americano, como meu caso, você será facilmente compreendido e dependendo da sua fluência ate confundido como um cidadão americano. Se você escutar um Australiano falar você provavelmente não entenderá nem a primeira frase dele porque eles têm um vocabulário bem característico com muitas palavras originarias da língua dos aborígines. Então, como você pode falar aqui neste mundo de diferenças e sem se perder? Minha dica é simples, embora exija esforço : Foque numa só!! Aprenda e adote esta língua como sua guia. Se você simpatiza com o sotaque britânico, aprenda a gramática correta e principalmente a pronuncia e seja fiel a ela. O sotaque é já outra coisa. Para um adulto é quase impossível adquirir o sotaque nativo, mas pode se chegar a quase perfeição, as vezes superando um nativo, em termos de exatidão e adequação gramatical. Se você ficar oscilando entre as diversas maneiras de falar inglês vai acabar se confundindo. Se for usar DO YOU HAVE...? (Am), mantenha esta estrutura ao invés de usar HAVE YOU GOT ..? (Br) Ou se pronuncia a palavra carro KA (Br) ao invés de CAR (Am) mantenha esta forma. Você não acharia engraçado ver um inglês falando português usando uma hora a palavra trem e em seguida comboio? O mesmo acontece com os estrangeiros tentando se comunicar em inglês.Lógico que também você poderá falar como um americano e escrever como um britânico para se adequar mais ao dia a dia, mas precisa ter cuidado pra não se confundir, isso exige mais pratica.

Latinos e Asiáticos em geral tendem a ter um sotaque mais americano devido a influência dos filmes e da música. Europeus e Africanos, em geral, aprendem o britânico. Nao existe mais fácil ou mais difícil, so depende qual deles está mais habituado a escutar ou mesmo falar. A escolha é toda sua, é uma questão puramente de afinidade, mas quero destacar que, acima de tudo, o mais importante é a habilidade de compreender e se fazer compreender ,independente do meio em que você está. O primeiro caso se consegue através da convivência diária com a língua estando exposto a estas variações e o segundo se adquire aperfeiçoando a fluência, utilizando um vocabulário mais rico, com uma gramática bem estruturada e uma pronuncia correta.

10 comentários:

  1. Muito boas dicas! Se puder incluir mais exemplos das diferenças entre o inglês americano e britânico ficaria ainda melhor e mais divertido. Beijos

    ResponderExcluir
  2. Muito bom o texto. Ira me ajudar bastante, pois tinha uma insegurança quanto a isso. Estou indo pra Londres em Fevereiro, e você me esclareceu essa duvida.

    Muito obrigado.
    Excelente Blog

    ResponderExcluir
  3. ola vladmir poderia me adicionar no MSN? andrejosejardim@hotmail.com preciso tirar umas duvidas com voce, muito obrigado pelo blog e as informações a todos!

    ResponderExcluir
  4. Gostei muito do seu blog e dessas dicas!

    ResponderExcluir
  5. Olá Vladimir! Excelente blog! O "inglês padrão BBC" é também conhecido como RP (Received Pronunciation) e vem atualmente perdendo espaço para o "Estuary English" por razões sociais e geográficas. Abaixo dois links do wikipedia para quem quiser ler mais sobre estas variedades do inglês...

    http://en.wikipedia.org/wiki/Received_Pronunciation

    http://en.wikipedia.org/wiki/Estuary_English

    ResponderExcluir
  6. Vc aconselha uma pessoa que só fala o básico do básico em inglês, a ir estudar a lingua em Londres?
    Sou louca pra ir, mas nunca tive oportunidade de estudar, então o pouco (pouquíssimo) que sei, aprendi sozinha!
    Meu pai concordou em me ajudar a bancar 6 meses aí, mas estou apreensiva por causa disso!

    Vanessa

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi vanessa, me escreva no vakclondon@gmail.com que lhe responderei..abracos

      Excluir
  7. Mamamia!..estou indo pra Londres em dezembro, falo espanhol e portugues,e pouquissimo em ingles, mas estou indo acompanhada com meu genro que fala ingles muito bem..mas..será que o que eu apreender com ele daqui pra Dezebro vai ser útil.?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ola, desculpe, so agora vi sua mensagem..escreva para vakclondon@gmail.com senao sei sei qual email responder. abracos

      Excluir
  8. Mamaia!..estou indo pra Londres em dezembro, falo espanhol e portugues,e pouquissimo em ingles, mas estou indo acompanhada com meu genro que fala ingles muito bem..mas..será que o que eu apreender com ele daqui pra Dezebro vai ser útil.?

    ResponderExcluir