sábado, 12 de setembro de 2009

A arte de viajar

E bom viajar, não? Sair de casa, explorar lugares com um clima, costumes e paisagens diferentes. Para muitos, isso parece ser a promessa de felicidade. Encontrar lá fora o que não temos em casa.

Muitas vezes nos encantamos e valorizamos as coisas do exterior, não apenas por serem novidade para nós, mas por parecerem estar mais em sintonia com a nossa identidade ou com aquilo que nosso próprio país não pode oferecer.

Uma viagem pode transformar completamente a nossa vida. Ela pode mudar o rumo que havíamos inicialmente traçado. Talvez por isso que alguns, mais avessos a mudanças, sintam medo de viajar, de sair de suas rotinas. No fundo podem temer essas mudanças inevitáveis. Aquilo que nossos olhos não vem nossos corações não sentem, esse famoso dito popular e uma verdade para quem experimenta a aventura de viajar, de se afastar de sua terra. Quando você sai de seu espaço e zona de conforto você vivencia uma outra realidade e, consequentemente, é quase impossível você seguir sendo a mesma pessoa.

Mas você já se perguntou o por quê? Por que escolheu um certo destino?

Alain de Botton, um filósofo suíço contemporâneo, bastante popular na Inglaterra, e com frequentes aparições em programas de TV (você o achará no youtube) começa seu livro “A arte de viajar” dizendo que existem milhares de revistas e livros de viagem sugerindo os destinos que você deveria ir, mas quase nunca nos perguntamos o por quê de ir e como podemos nos realizar tornando esta experiência real.

Demorei a perceber que viajar pode distorcer nossa curiosidade quando ela segue uma lógica geográfica superficial. O perigo da viagem é que seguidamente vemos as coisas no momento errado, sem termos dado o devido tempo para aumentar nossa receptividade. Muitas vezes nos sentimos obrigados a apreciar coisas que não tem conexão uma com a outra a não ser sua posição geográfica. Quando viajamos a novos lugares podemos optar pelo comodismo, seguindo a risca um manual de viagem, um guia turístico ou o conselho de um experiente viajante, usando sua mesma linha de raciocínio ou podemos nos aventurar , dando liberdade a nossa imaginação e capturando as sensações através de nossos próprios interesses numa seqüência mais lógica, prazerosa e proveitosa.


Não e raro ver pacotes de turismo que incluem 10 paises em 5 dias onde em casa destino há inúmeros programas e pontos turísticos que já foram visitados por milhões de pessoas. A única diferença aparente é o ângulo e luminosidade que serão captadas as imagens pelas lentes da câmera. No entanto, apesar do ritmo frenético e até desnecessário destes pacotes, o observador atento poderá ver coisas que irão despertar sua curiosidade para novas áreas de interesse. Acredito estar ai uma das grandes maravilhas de viajar: despertar nossa curiosidade.

Viajar não e apenas ver novos lugares, já que isso é possível com um grau impressionante de exatidão apenas usando o “Google earth, mas envolver os cinco sentimos e se misturar com o ambiente para captar novas sensações e expandir nossa compreensão sobre as coisas que nos rodeiam. Viajar exige sabedoria e se eu tivesse que apontar uma habilidade essencial para desenvolver a arte de viajar esta seria a “ capacidade de observação”

When I look back
I see the landscape
That I have walked through
But it is different

All the great trees are gone
It seems there are
Remnants of them

But it is the afterglow
Inside of you

Of all those you meet
Who mean something in your life

Olav Rex, 1977


Boa viagem!

Um comentário:

  1. Vladimir,

    Seu blog é muito bom...
    Voce ja me ajudou demais...

    Esse tópico "a arte de viajar" ficou incrivel

    Abraco...
    Mauricio

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