quinta-feira, 16 de julho de 2009

A Tragedia e o motor da midia: Brasileiros em Londres

Há um assunto que vem me incomodando nos últimos dias, mas não pretendo entrar a fundo nele porque este espaço e voltado principalmente para informar e orientar aqueles que pensam em vir a Londres seja como turista, estudante ou imigrante, não discutir o poder dos meios de comunicação. Mas, acredito que poderei ajudar muitos a refletirem de forma lógica e objetiva. Trata-se das matérias e reportagens negativas que vem sendo feitas sobre Londres e deixando muitos de cabelo em pe, principalmente os pais dos intercambistas.

Não e nenhuma novidade que a mídia se vale de sensacionalismo para vender. Tudo que e tragédia infelizmente vende. A mídia não mede esforços para denegrir a imagem publica de uma pessoa ou nação, quando há interesses por trás. Seria muito bom se o que vou dizer aqui pudesse ser compreendido por todos e pudesse servir de base para tomar decisões. Contudo, sei que muitas pessoas ainda são fortemente influenciadas pelo que a TV diz, os jornais escrevem e o que alguns ainda falam sem levar em conta fatos e sim suposições.

Crise existe, não podemos negar. Seja social, cultural ou moral. O mundo vem atravessando crises desde que existem pessoas aqui vivendo. Em todos os níveis que se possa pensar. Crise e a alavanca da mudança. Se não existe a crise, estagnamos, não nos movemos para frente. Não sentimos necessidade de reavaliar e buscar novas alternativas para adaptar-nos a uma determinada situação que se apresenta. Isto e crescimento. Portanto, crise antecede o crescimento. Podemos aplicar isso em todas as áreas de nossa vida.

A diferença entre uma ou outra crise e tom que se da a ela. A ênfase para atrair a atenção do público e assim provocar o medo, o pânico. Alguém ganha muito com tudo isso. Somos fantoches e dançamos conforme a musica que a orquestra toca. Contudo, cabe a nos aprender a discernir fatos reis e fatos criados para um interesse maior.

Se eu começar a considerar tudo que e dito na mídia, não sairei mais de minha casa, porque poderei pegar uma virose e morrer, poderei ser atacado por algum maníaco num parque, poderei ser vitima de seqüestro relâmpago, poderei ser atropelado por algum motorista inconseqüente. Pior ainda, se ficar em casa, poderei ser roubado e colocado de refém com minha família. Aonde chegaremos desse jeito?

Vale a pena seguir cegamente o que nos dizem? Ou o que lemos nas manchetes e muitas vezes não nos damos nem o trabalho de buscar a veracidade destes fatos? Ou e melhor acreditar que situações difíceis sempre existirão e que nossa capacidade de superação e maior do que tudo isso?


Os problemas que os brasileiros vem enfrentando aqui, seja de desemprego, falta de perspectivas, de preconceito,etc., eles estariam enfrentando em qualquer lugar do mundo, principalmente no Brasil. Vamos tentar nos colocar no lugar de alguns estrangeiros que imigram para o sul do Brasil, principalmente, os argentinos ou uruguaios. Você acredita sinceramente que eles tem muitas chances de chegar e logo conseguir um trabalho bom? Acredita que será fácil para ele aprender o idioma de forma fluente (falar e escrever) e ainda ocupar o lugar de outro brasileiro dentro de uma empresa? E se for alguém vindo de um pais pobre da América Central ou África? Quão bem acolhido ele será? E se for negro? Terá as mesmas chances?

Lógico que não. Ele necessitara aprender a língua, conhecer as características locais e ainda se superar profissionalmente para poder ocupar o lugar de outro brasileiro.

E fácil sempre reclamar que aqui muitos brasileiros estão vivendo em situações precárias ( embora nem se compare como se vive nas comunidades pobres de cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro) e esquecem que muitos estão vivendo bem e crescendo profissionalmente. E a minoria, claro, assim como e a minoria no Brasil que fica rico ou que tem uma graduação universitária. E sem falar de outras minorias privilegiadas. Sempre haverá menos pessoas felizes porque o sofrimento e uma predisposição natural do ser humano. Muitos têm tudo para serem felizes, mas amargam frustrações de expectativas que eles mesmos criam segundo seu ideal ilusório de felicidade. Aqui também não e diferente. As pessoas vêm para a Inglaterra com ilusões de riqueza em pouco tempo. De trabalhar como escravo para ganhar o maximo que podem e voltar ao seu pais para gastar o que ganharam. Vivem em lugares sujos, apertados, sem convívio nenhum com a cultura local, não aprendem a língua e conseqüentemente não lêem jornais, não assistem TV ( a não ser canal Brasileiro), não participam da vida local. Fecham-se em seus guetos e quando estão juntos e para falar mal do pais que os aceitou e louvarem com saudades o Brasil que sempre os tratou com dignidade e respeito. Que espécie de comentários e impressões pode se esperar de alguém que vive nas condições acima descritas?

Felizmente, existe um grupo de pessoas mais conscientes e melhores educadas que começam a vir viver aqui e que ajudam a melhorar a imagem negativa que muitos deixaram nestes pais.

Admiro aqueles que, mesmo com pouca instrução, poucas vantagens financeiras, conseguiram se superar e estão se esforçando para virem para cá não atrás de dinheiro rápido, mas para serem melhores do que são, para serem melhores seres humanos, mais conscientes, melhores preparados para a vida, menos preconceituosos e menos arraigados a suas verdades condicionadas.

Antes de investirem em uma experiência destas, considerem que terão que passar por momentos menos confortáveis, de certos “sacrifícios” e nem por isso será necessariamente pior. Será apenas diferente. Se a intenção e ficar aqui ou voltar, não importa, será sempre algo positivo. Será parte de um processo de transformação para uma nova maneira de ver a vida. Os lucros são incalculáveis.

3 comentários:

  1. Muito bom o texto!!! Gostei, é isso aí, dificuldades tem em todos os lugares.....quanto maior a luta, maior a vitória!
    abs

    ResponderExcluir
  2. Gabriel Meirelles26 de julho de 2009 23:24

    Parabens Vladimir,obrigado pelo site e pela sua disposição em compartilhar o que aprendeu com outros.
    um abraço

    ResponderExcluir
  3. Maravilhoso texto, gostei muito, especialmente do penultimo parágrafo onde me identifiquei muito !

    Continue sempre assim !

    Forte abraço !

    ResponderExcluir